Este dossiê reúne mensagens, uma gravação e publicações do Criativos pela Virada que expõem propostas de intimidar eleitores, provocar medo e fabricar associações visuais com inteligência artificial. Arthur Fava e a Arcaffo manifestam sua indignação e reprovação às condutas documentadas.
Dossiê e análise: Arthur Fava · Posicionamento institucional: Arcaffo
Publicado em 12 de outubro de 2026. Texto revisado para explicitar a avaliação moral e profissional das condutas expostas.
Os registros do dossiê · Nossa indignação e posicionamento · Fontes e método
Os fatos que fundamentam a indignação
Participantes de um grupo de apoio a Lula propuseram usar alarmismo e imagens geradas por inteligência artificial contra Flávio Bolsonaro, segundo as conversas reunidas neste dossiê. Uma gravação registra a defesa de uma abordagem de intimidação contra quem pretende votar no candidato.
Reuni esses registros ao acompanhar os canais do Criativos pela Virada. São conversas no Discord, trechos de chamadas e capturas de publicações no Instagram. As mensagens e o vídeo permitem ao leitor examinar diretamente as propostas e falas expostas aqui.
No post “Sobre nós”, postado no Instagram, o coletivo se apresenta como um movimento independente de designers, ilustradores, editores de vídeo, jornalistas e desenvolvedores. Declara que foi criado para colaborar com a campanha de Lula no segundo turno.
É nesse ambiente de articulação criativa que aparecem as condutas examinadas a seguir: explorar o medo de perder renda e atendimento de saúde, propor montagens com IA e recorrer a acusações graves para constranger eleitores.
O medo tratado como ferramenta de persuasão
Em uma das mensagens, um participante sugere fazer eleitores acreditarem que perderão a casa e a aposentadoria e passarão fome. Ao final, escreve: “Mas quanto mais alarmista melhor. Eles tem que ter medo”. Confira na captura de tela abaixo:

O teor da mensagem é explícito: quanto maior o alarmismo, melhor. O efeito buscado é fazer o eleitor sentir medo. Na avaliação da Arcaffo, essa orientação representa uma falha moral grave: trata a insegurança das pessoas como recurso a ser explorado.
Casa, aposentadoria, alimentação e atendimento médico dizem respeito à sobrevivência de famílias. Transformar essas preocupações em matéria-prima para exageros deliberados é uma conduta que reprovamos.
A proposta de fabricar uma associação com IA
Outra mensagem propõe uma foto de Flávio “com trans geradas por IA”, contraposta a uma imagem de sua família com a bandeira do Brasil. O registro documenta a sugestão de uma montagem:

A proposta já revela uma escolha ética reprovável. Recorre à fabricação de uma associação visual e usa pessoas trans como instrumento de constrangimento. Na avaliação da Arcaffo, colocar a capacidade técnica de criar imagens a serviço desse tipo de insinuação fere a responsabilidade profissional de quem comunica.
Há ainda uma mensagem que sugere associar a família Bolsonaro e seus eleitores a acusações de pedofilia, inclusive perguntando ao eleitor se ele próprio seria pedófilo. Usar uma acusação dessa gravidade para constranger quem vota é, para nós, moralmente inaceitável.
A intimidação proposta na chamada
Em um trecho de cerca de 39 segundos, uma participante defende “essa parte agressiva de quase ameaçar” a pessoa que pretende votar em Flávio. Como exemplos de abordagem, menciona dizer que ele tiraria a aposentadoria do eleitor e colocaria crianças para trabalhar.
A fala está registrada em uma chamada no Discord, acompanhada pelo autor em 5 de outubro. O leitor pode conferir o trecho:
Assistir ao trecho da chamada (39 segundos, com legendas)
Na avaliação deste dossiê, a fala propõe pressionar a escolha do eleitor pela perspectiva de perder direitos e renda. Essa disposição de intimidar é precisamente uma das condutas que motivam nossa indignação.
A distância entre as regras e as condutas
O quadro de regras do servidor exige conferir informações, sinalizar aquilo que não foi verificado e evitar ataques pessoais. Essas orientações tornam ainda mais evidente a contradição com as propostas de alarmismo, montagem e constrangimento documentadas nas conversas.
Ver o quadro de regras do servidor

Um compromisso ético escrito precisa orientar as escolhas concretas. A Arcaffo cobra essa coerência porque ela faz parte do profissionalismo que nossa área deve oferecer à sociedade e ao mercado.
O conteúdo que recebeu a assinatura pública do coletivo
Além das conversas, há um carrossel publicado no Instagram que apresenta medidas como intenções de Flávio. A lista de coautores exibida na captura inclui Criativos pela Virada e Brasil Fora da Caverna, entre outros perfis. Aqui, a associação pública do coletivo à postagem está documentada.
Um slide risca o 13º salário e as férias remuneradas. Outros atribuem ao candidato cobrança por serviços do SUS, fim da Farmácia Popular, congelamento da aposentadoria e corte do Bolsa Família. O confronto com o plano de governo “Para o Brasil Vencer o Atraso” mostra problemas concretos nessas atribuições:
- Trabalho: a página 44 defende jornada flexível e negociação entre trabalhador e empresa dentro da lei. Não propõe extinguir 13º e férias. O slide apresenta essas perdas sem demonstrar de onde elas foram extraídas.
- SUS: as páginas 37 e 38 propõem contratar serviços e exames na rede privada em horários ociosos. Não estabelecem cobrança direta do paciente, como a postagem sugere.
- Farmácia Popular: o documento não menciona o programa nominalmente e propõe entrega domiciliar de medicamentos. A omissão não sustenta a afirmação de que o candidato pretende extingui-lo.
- Proteção social: a página 42 assume o compromisso de manter os programas existentes, com mudanças de gestão e combate a fraudes. A afirmação de corte do Bolsa Família precisa enfrentar esse compromisso expresso.
Ver o slide sobre direitos trabalhistas

Apresentar uma medida como intenção de um candidato exige apontar uma fonte que sustente essa atribuição. Um plano não esgota todas as posições de uma candidatura, mas também não pode ser substituído por uma conclusão sem fundamento demonstrado.
Na aposentadoria, a precisão também importa. A Folha de S.Paulo publicou em 7 de outubro que a equipe econômica estudava desvincular reajustes previdenciários dos ganhos reais do salário mínimo, com possibilidade de correção apenas pela inflação. A assessoria contestou que esses relatos representassem a posição oficial da candidatura.
Há, portanto, uma discussão documentada sobre limitar ganhos reais. Isso é diferente de congelar o valor nominal ou afirmar que a aposentadoria não aumentará. O enquadramento alarmista elimina uma distinção necessária para que o eleitor compreenda o assunto.
Nossa indignação diante de uma falha moral e profissional
A Arcaffo manifesta sua total reprovação às condutas expostas neste dossiê. Propor alarmismo para provocar medo, fabricar associações visuais e constranger eleitores com acusações graves representa, em nossa avaliação, uma falha moral e profissional inaceitável.
Como profissional de comunicação, eu, Arthur Fava, sinto indignação ao ver nossa capacidade de criar, persuadir e alcançar pessoas ser colocada a serviço dessas propostas. Escolhas como essas ferem o respeito que devemos ao público e comprometem a credibilidade de uma área que luta para demonstrar sua relevância no meio empresarial.
As mensagens revelam disposição de explorar inseguranças humanas para obter um resultado político. Quando alguém escreve que, quanto mais alarmista, melhor, o exagero deixa de ser um acidente de linguagem e passa a integrar a estratégia proposta. É essa escolha que condenamos.
Branding, publicidade e marketing influenciam cultura, opinião, consumo e voto. Podem contribuir para que uma pessoa compreenda uma proposta, reconheça o valor de uma empresa ou decida onde investir o dinheiro conquistado com trabalho. Esse poder traz uma responsabilidade enorme.
Quem domina essas ferramentas sabe que uma imagem, uma frase e um enquadramento podem alterar a percepção de milhares de pessoas. Usar essa competência para intimidar ou distorcer informações é um abuso da confiança depositada em nosso trabalho.
Medo de perder aposentadoria, atendimento médico, alimentação ou moradia toca necessidades reais. Explorar deliberadamente essas preocupações por meio do exagero trata a vulnerabilidade de famílias como instrumento de campanha. Consideramos essa conduta indigna do exercício responsável da comunicação.
Também condenamos a proposta de usar pessoas trans como recurso para fabricar uma associação visual constrangedora. Pessoas não podem ser reduzidas a instrumentos de insinuação e preconceito. A criatividade não torna aceitável uma escolha que despreza sua dignidade.
Há uma falha de caráter na escolha de explorar o medo e o constrangimento para persuadir. Na avaliação da Arcaffo, esse tipo de conduta deve ser exposto e condenado com clareza. Uma causa política não dispensa ninguém de agir com diligência, consciência e coerência diante dos fatos.
Essa responsabilidade acompanha o profissional quando ele trabalha para uma empresa, participa de uma campanha ou produz conteúdo por iniciativa própria. O público continua merecendo respeito em qualquer dessas situações. Sua consciência, seu voto e seu dinheiro não são recursos à disposição de quem quer vencer uma disputa.
A reputação de nosso segmento é construída todos os dias por profissionais que pesquisam, verificam, orientam clientes e assumem as consequências de suas entregas. As condutas aqui documentadas enfraquecem esse esforço e alimentam a percepção de que comunicar é encontrar uma maneira de convencer a qualquer custo.
É por isso que a Arcaffo se posiciona. Defendemos uma comunicação capaz de contribuir com empresas e com a sociedade, apoiada em fatos, critério e responsabilidade. Reprovamos a disposição de sacrificar esses compromissos para produzir medo, constrangimento ou uma impressão enganosa.
Nossa indignação é uma cobrança de integridade. Esperamos de quem trabalha com comunicação a coerência de verificar o que afirma, recusar propostas moralmente inaceitáveis e respeitar a capacidade das pessoas de formar suas próprias decisões.
Arthur Fava e Arcaffo
Fontes e método
Arthur Fava, autor deste dossiê e profissional de comunicação, declara posição política conservadora. Os registros foram reunidos ao acompanhar os canais com um perfil que não o identificava. A avaliação moral expressa no texto é do autor e da Arcaffo e se refere às condutas documentadas.
As mensagens são apresentadas como propostas; o carrossel é uma publicação coassinada pelo coletivo. A data da chamada segue o registro de coleta do autor. O vídeo é um trecho da conversa. As capturas das publicações do Instagram foram preservadas em 9 de outubro e confrontadas com o plano de governo e a reportagem vinculados no texto.
Os arquivos originais foram preservados. Nomes e avatares de participantes foram ocultados nas reproduções; o vídeo tem imagem desfocada, voz alterada e legendas para proteção das identidades.
Os citados não foram contatados antes da publicação. Manifestações, documentos e pedidos de correção podem ser enviados a contato@arcaffo.com. Alterações relevantes serão registradas nesta página.
Atualização de 12 de outubro de 2026: texto revisto para concentrar a exposição nos registros e explicitar a indignação e a condenação moral do autor e da Arcaffo. As citações literais seguem o conteúdo das evidências.